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domingo, 26 de junho de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Sentimento de impotência, artigo de Montserrat Martins
Publicado em março 21, 2011 por HC
Tags: reflexão
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[EcoDebate] É uma reação natural evitar assuntos mais dolorosos, quando não há nada que possamos fazer para mudar os fatos – é o chamado “sentimento de impotência”, do qual derivam comportamentos e mecanismos de defesa psicológicos que vão da apatia à negação da realidade, acompanhados por tristeza, angústia e até depressão. Isso ocorre tanto em situações de nossas vidas pessoais quanto em fatos sociais chocantes, como os que sucederam neste mês de março. Destruição no Japão, com acidente nuclear inclusive, genocídio na Líbia, um somatório de fatos chocantes provocaram tristeza e medo através do mundo. O sentimento de impotência é uma parte importante de nossas vidas sociais, não aparece só nas grandes tragédias, mas também sob forma de problemas crônicos, como por exemplo no noticiário cotidiano sobre a corrupção ou sobre a violência. Cada um de nós, como indivíduo, se sente muito pequeno e sem poder de fazer algo que faça a diferença em situações como essas, o que às vezes resulta em passividade coletiva, quando deixamos de acreditar que algo possa ser feito.
O mais sublime exemplo de tragédia canalizada para a transformação social foi a da mãe que perdeu o filho no trânsito e dedicou sua vida à prevenção de acidentes, estamos falando é claro da Diza Gonzaga e do movimento Vida Urgente. Nada poder ser comparado à dor de uma mãe diante da sua maior perda, a de um filho. Por enfrentar – e como uma missão para ajudar aos outros – o próprio sentimento de dor e impotência, Diza passou a ser uma referência para outros pais e mães com perdas irreparáveis, com o exemplo da solidariedade, da ação social para a conscientização e prevenção de mais e mais tragédias. Por maior que seja o sentimento de impotência – pois nada irá trazer seus filhos de volta – estas histórias de transcendência da vidas representam o mais elevado que seres humanos podem fazer com a própria tristeza, sofrimento, luto, com a própria depressão. É da capacidade de ver algum sentido na vida (pois se não sem descobrisse algum sentido, não haveria motivação para reagir) que brota essa resposta sublime, de canalizar a própria dor para o socorro aos outros.
Não sabemos como vai ficar o Japão, nem a extensão do genocídio na Líbia, questões pelas quais não temos como fazer tanto. Mas um pouco do Japão está aqui pertinho de nós, nos atingidos pelas enchentes em Santa Catarina ou ainda mais ao sul, em São Lourenço do Sul. Situações de violência como as da Líbia também, se não temos aqui um Kadafi temos vários “patrões” do tráfico ordenando mortes em regiões que aterrorizam. Assim como há, também, algumas pessoas que lutam de modo até mesmo heróico (como a Diza), para prevenir tragédias, ou ainda para impedir devastações naturais produzidas pelo próprio ser humano a desequilibrar o clima, ou em projetos de recuperação de jovens violentos.
São pessoas como estas que podem nos mostrar caminhos melhores para aprendermos a lidar com nossos sentimentos de impotência, diante das pequenas e das grandes tragédias da vida.
Montserrat Martins, colunista do Ecodebate, é Psiquiatra.
EcoDebate, 21/03/2011
sábado, 12 de março de 2011
Meio pão e um livro
Meio pão e um livro
Frei Betto
Escritor e assessor de movimentos sociais
Adital
Tradução livre de Frei Betto
Quando alguém vai ao teatro, a um concerto ou a uma festa, se lhe agrada, lamenta que as pessoas de quem gosta não estejam ali. "Como minha irmã, meu pai iriam apreciar”, pensa, e desfruta tomado por leve melancolia.
Esta é a melancolia que sinto, não pela minha família, e sim por todas as criaturas que, por falta de meios e por desgraça, não gozam do supremo bem da beleza, que é a vida com bondade, serenidade e paixão.
Por isso nunca tenho livro, pois presenteio todos os que compro, que são muitíssimos, e portanto estou aqui honrado e contente por inaugurar esta biblioteca do povo, a primeira na região de Granada.
Não só de pão vive o homem. Eu, se tivesse fome e estivesse abandonado na rua, não pediria um pão, pediria meio pão e um livro. Critico violentamente os que falam apenas de reivindicações econômicas, sem jamais ressaltar as culturais, que os povos pedem aos gritos.
Ótimo que todos os homens comam; melhor que todos tenham saber. Que gozem todos os frutos do espírito humano, porque o contrário é serem transformados em máquinas a serviço do Estado, convertidos em escravos de uma terrível organização social.
Lamento muito mais por um homem que deseja saber e não pode, do que por um faminto. Este aplaca a fome com um pedaço de pão ou algumas frutas. Mas um homem que tem ânsia de saber e não possui os meios, sofre uma profunda agonia, porque são livros, livros, muitos livros, de que necessita. E onde estão esses livros?
Livros! Livros! Palavra mágica que equivale a dizer: "amor, amor”, e que os povos deviam pedir como pedem pão ou anseiam por chuva após semearem.
Quando Dostoiévski, pai da revolução russa muito mais que Lenin, se encontrava prisioneiro na Sibéria, isolado do mundo, retido entre quatro paredes e cercado de desoladas extensões de neve infinita, em carta à sua família pedia que o socorressem: "Enviem-me livros, livros, muitos livros, para que minha alma não morra!”
Tinha frio e não pedia fogo; sede e não pedia água; pedia livros, ou seja, horizontes, escadas para subir ao ápice do espírito e do coração. Porque a agonia física, biológica, natural de um corpo faminto, provocada pela fome, sede ou frio, dura pouco, muito pouco, mas a da alma insatisfeita dura toda a vida.
Disse o grande Menéndez Pidal, um dos sábios mais autênticos da Europa, que o lema da República deveria ser: "Cultura”. Porque só através dela é possível solucionar as dificuldades que hoje enfrenta o povo cheio de fé, mas carente de luz.
Palavras de Federico García Lorca ao inaugurar a biblioteca de Fuente de Vaqueros (Granada), em setembro de 1931.
PS: minha homenagem à nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e ao novo presidente da Biblioteca Nacional, Galeno Amorim.
[www.freibetto.org - twitter:@freibetto
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)]
Quando alguém vai ao teatro, a um concerto ou a uma festa, se lhe agrada, lamenta que as pessoas de quem gosta não estejam ali. "Como minha irmã, meu pai iriam apreciar”, pensa, e desfruta tomado por leve melancolia.
Esta é a melancolia que sinto, não pela minha família, e sim por todas as criaturas que, por falta de meios e por desgraça, não gozam do supremo bem da beleza, que é a vida com bondade, serenidade e paixão.
Por isso nunca tenho livro, pois presenteio todos os que compro, que são muitíssimos, e portanto estou aqui honrado e contente por inaugurar esta biblioteca do povo, a primeira na região de Granada.
Não só de pão vive o homem. Eu, se tivesse fome e estivesse abandonado na rua, não pediria um pão, pediria meio pão e um livro. Critico violentamente os que falam apenas de reivindicações econômicas, sem jamais ressaltar as culturais, que os povos pedem aos gritos.
Ótimo que todos os homens comam; melhor que todos tenham saber. Que gozem todos os frutos do espírito humano, porque o contrário é serem transformados em máquinas a serviço do Estado, convertidos em escravos de uma terrível organização social.
Lamento muito mais por um homem que deseja saber e não pode, do que por um faminto. Este aplaca a fome com um pedaço de pão ou algumas frutas. Mas um homem que tem ânsia de saber e não possui os meios, sofre uma profunda agonia, porque são livros, livros, muitos livros, de que necessita. E onde estão esses livros?
Livros! Livros! Palavra mágica que equivale a dizer: "amor, amor”, e que os povos deviam pedir como pedem pão ou anseiam por chuva após semearem.
Quando Dostoiévski, pai da revolução russa muito mais que Lenin, se encontrava prisioneiro na Sibéria, isolado do mundo, retido entre quatro paredes e cercado de desoladas extensões de neve infinita, em carta à sua família pedia que o socorressem: "Enviem-me livros, livros, muitos livros, para que minha alma não morra!”
Tinha frio e não pedia fogo; sede e não pedia água; pedia livros, ou seja, horizontes, escadas para subir ao ápice do espírito e do coração. Porque a agonia física, biológica, natural de um corpo faminto, provocada pela fome, sede ou frio, dura pouco, muito pouco, mas a da alma insatisfeita dura toda a vida.
Disse o grande Menéndez Pidal, um dos sábios mais autênticos da Europa, que o lema da República deveria ser: "Cultura”. Porque só através dela é possível solucionar as dificuldades que hoje enfrenta o povo cheio de fé, mas carente de luz.
Palavras de Federico García Lorca ao inaugurar a biblioteca de Fuente de Vaqueros (Granada), em setembro de 1931.
PS: minha homenagem à nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e ao novo presidente da Biblioteca Nacional, Galeno Amorim.
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Entidades sociais versus organizações sociais
A assistente social denuncia as diferenças de parcerias na área da assistência à infância, em sua maioria com entidades pobres da periferia que têm de recorrer a rifas e festas para fazer o atendimento, enquanto as OSs da saúde recebem 5% do valor fixo pela “qualidade do serviço prestado”.
Por Zilah Maria Ramalho
Quinta-feira, 10 de março de 2011
Cada vez mais o Poder Público em suas diferentes esferas e governos vêm adotando Parcerias Público Privada (PPPs), para a qual a execução de obras e serviços que, por força de lei é de competência do Estado, possam ser executadas pela iniciativa privada.
Aqui em São Paulo embora esse processo venha se acelerando nos últimos dez anos, as relações de parceria entre a iniciativa privada e a administração pública já ocorrem há quase 40 anos.
Na década de 1970, centenas de convênios começaram a ser firmados entre a Prefeitura de são Paulo e entidades sociais para o desenvolvimento de projetos de assistência social, assistência à infância e atendimento ao adolescente.
Nasciam aí as primeiras formas de PPPs...
Passados mais de 30 anos, essas parcerias principalmente no que se refere à assistência a Infância continuam a existir respondendo hoje pelo atendimento de mais de 10 mil crianças em idade de creche.
No governo Serra/Kassab novas possibilidades de parcerias foram introduzidas, principalmente na área de saúde.
A Lei 14.132, de 24/05/2006, do então prefeito José Serra, e regulamentada pelo Decreto nº 49.523, de 27/05/2008, do prefeito Gilberto Kassab, autoriza o Executivo Municipal a celebrar contratos de gestão com vistas a parcerias entre Organizações Sociais sem fins lucrativos e o Poder Público para o fomento e execução de atividades relativas à saúde.
Em menos de três anos o prefeito kassab já entregou mais de 60% do atendimento municipal de saúde a Organizações Sociais e com regras bastante favoráveis às OSs.
Isso pode ser constatado numa análise mais atenta do Decreto do Prefeito Kassab e dos contratos de gestão assinados entre a Prefeitura de São Paulo e as Organizações Sociais disponíveis para consulta na internet.
Há um ponto nestes contratos que nos chama a atenção, para a prestação dos serviços, objeto do contrato de gestão entre as duas partes, Prefeitura de São Paulo e OSs, o repasse de recursos observa os seguintes itens: um valor repassado que corresponde à parte fixa dos gastos (material de consumo, serviços de terceiros, manutenção etc), outro que se refere a pessoal, reformas de equipamentos e um valor definido como "Parte Variável", que corresponde a 5% do valor da parte fixa repassado mensalmente em função da qualidade de serviços prestados.
Esta qualidade é atestada por uma comissão tripartite (Poder Público, OSs e funcionários) onde - pasmen! - o principal interessado, que é o usuário do serviço de saúde não tem representação!!!
Enquanto não chega o momento para um debate mais profundo sobre este tema, quero chamar a atenção para o tratamento diferenciado que o poder público dá a seus diferentes parceiros.
As parcerias na área da assistência à infância, em sua maioria com entidades pobres da periferia que têm de recorrer às rifas, bingos, bazares e festas para arrecadar fundos para desenvolver o trabalho de atendimento às crianças e honrar os convênios com o poder público, as Organizações Sociais que atuam na saúde do município de São Paulo recebem 5% do valor fixo pela “qualidade do serviço prestado”.
A pergunta é: Quais seriam os verdadeiros motivos pelos quais as entidades pobres da periferia jamais receberam pelos serviços que as novas parcerias do poder público, em sua maioria bem estruturadas, são beneficiárias de recurso extra para que prestem um serviço de qualidade?
O debate está aberto. A sinalização de luta e de proposta para nossos parlamentares e militantes está dada.
Por Zilah Maria Ramalho
Quinta-feira, 10 de março de 2011
Cada vez mais o Poder Público em suas diferentes esferas e governos vêm adotando Parcerias Público Privada (PPPs), para a qual a execução de obras e serviços que, por força de lei é de competência do Estado, possam ser executadas pela iniciativa privada.
Aqui em São Paulo embora esse processo venha se acelerando nos últimos dez anos, as relações de parceria entre a iniciativa privada e a administração pública já ocorrem há quase 40 anos.
Na década de 1970, centenas de convênios começaram a ser firmados entre a Prefeitura de são Paulo e entidades sociais para o desenvolvimento de projetos de assistência social, assistência à infância e atendimento ao adolescente.
Nasciam aí as primeiras formas de PPPs...
Passados mais de 30 anos, essas parcerias principalmente no que se refere à assistência a Infância continuam a existir respondendo hoje pelo atendimento de mais de 10 mil crianças em idade de creche.
No governo Serra/Kassab novas possibilidades de parcerias foram introduzidas, principalmente na área de saúde.
A Lei 14.132, de 24/05/2006, do então prefeito José Serra, e regulamentada pelo Decreto nº 49.523, de 27/05/2008, do prefeito Gilberto Kassab, autoriza o Executivo Municipal a celebrar contratos de gestão com vistas a parcerias entre Organizações Sociais sem fins lucrativos e o Poder Público para o fomento e execução de atividades relativas à saúde.
Em menos de três anos o prefeito kassab já entregou mais de 60% do atendimento municipal de saúde a Organizações Sociais e com regras bastante favoráveis às OSs.
Isso pode ser constatado numa análise mais atenta do Decreto do Prefeito Kassab e dos contratos de gestão assinados entre a Prefeitura de São Paulo e as Organizações Sociais disponíveis para consulta na internet.
Há um ponto nestes contratos que nos chama a atenção, para a prestação dos serviços, objeto do contrato de gestão entre as duas partes, Prefeitura de São Paulo e OSs, o repasse de recursos observa os seguintes itens: um valor repassado que corresponde à parte fixa dos gastos (material de consumo, serviços de terceiros, manutenção etc), outro que se refere a pessoal, reformas de equipamentos e um valor definido como "Parte Variável", que corresponde a 5% do valor da parte fixa repassado mensalmente em função da qualidade de serviços prestados.
Esta qualidade é atestada por uma comissão tripartite (Poder Público, OSs e funcionários) onde - pasmen! - o principal interessado, que é o usuário do serviço de saúde não tem representação!!!
Enquanto não chega o momento para um debate mais profundo sobre este tema, quero chamar a atenção para o tratamento diferenciado que o poder público dá a seus diferentes parceiros.
As parcerias na área da assistência à infância, em sua maioria com entidades pobres da periferia que têm de recorrer às rifas, bingos, bazares e festas para arrecadar fundos para desenvolver o trabalho de atendimento às crianças e honrar os convênios com o poder público, as Organizações Sociais que atuam na saúde do município de São Paulo recebem 5% do valor fixo pela “qualidade do serviço prestado”.
A pergunta é: Quais seriam os verdadeiros motivos pelos quais as entidades pobres da periferia jamais receberam pelos serviços que as novas parcerias do poder público, em sua maioria bem estruturadas, são beneficiárias de recurso extra para que prestem um serviço de qualidade?
O debate está aberto. A sinalização de luta e de proposta para nossos parlamentares e militantes está dada.
Área de risco inclui escola e posto de saúde de São Paulo
Duas unidades de atendimento público, um posto de saúde e uma escola, estão entre as 407 áreas de risco da cidade de SP, segundo mapeamento do IPT, e podem deslizar com a chuva. A Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Clara, zona sul, fica a cinco metros de um córrego. A UBS foi inaugurada em 2005, quando a região já tinha ocupações irregulares. O muro dos fundos do posto já ameaçou cair sobre moradias. Há um ano e meio, nove moradias foram removidas e o muro, reconstruído. O problema é mais grave, porém, na escola municipal Wladimir de Toledo Piza, que fica no Jardim Iguatemi (zona leste), onde um barranco ameaça a construção - FSP, 11/3, Cotidiano, p.C6.
sábado, 5 de março de 2011
Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania pretende remover o CONDEPEEm caráter de urgência encaminhamos essa mensagem no intuito de dar a mais ampla divulgação à arbitrária tentativa (por parte da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo) de remoção do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos
http://www.condepe.org.br/
sexta-feira, 4 de março de 2011
A ‘desgraça’ da droga, artigo de Anchieta Mendes
Publicado em março 4, 2011 por HC
Tags: drogas, reflexão, sociedade
[EcoDebate] Encontros, reuniões, seminários, conselhos, comissões, grupos de trabalho, palestras, manchetes, notas de jornais, opiniões, críticas, rezas, e tantas outras manifestações de autoridades ou prováveis mestres; alvoroço, estatísticas, demagogia que se espraia por conta do problema, lágrimas de mães, fuga de pais, é uma verdadeira calamidade que se instaura e se instala por todos os cantos do país e do mundo.
É a droga, de qualquer nome, qualidade, quantidade e uso, com as suas desgraças, de que vêm as mortes, os crimes, as iniqüidades, a violência de todo tamanho e resultados dramáticos. É o que se vê e deplora-se. É a droga que muda de nome, muda (para pior) de resultado nefasto, devastador do corpo e da alma dos homens, de todas as idades, notadamente, das idades mais novas.
Tudo se torna alarde e alarme, gritos e gemidos, lágrimas e tristeza mortal. É a família destruída, amesquinhada, inerte, desprotegida e doente. É a sociedade que, por tudo isso, não resiste, perde as forças, a confiança, a capacidade de reagir e mudar.
Fala-se demais e faz-se de menos. Leis? Não são cumpridas, a partir do Estado que as edita. Exemplo? A lei anti-drogas que não é complementada, não surte efeito porque não se cuida de transforma-la em fatos, em realidade. Sabe por quê? O Estado não cumpre a sua parte, por exemplo, construindo e mantendo clínicas de recuperação de usuários; permite, não dá condições e as escolas se tornam despreparadas para cuidar do problema, dentro da sua especialidade. E o estado que não oferece o mínimo assegurado na Constituição: saúde, educação e segurança; não oferece salário condigno, moradia, assistência social.
O maior cliente (réu) da Justiça é o próprio Estado, incluindo-se o País, os Estados federados, os municípios, as empresas públicas, etc. que negam os fundamentais direitos do cidadão que são o salário digno, a assistência médica, etc. Negam aos cidadãos, negam na Justiça, quando pleiteados esses direitos e a via-sacra não termina.
E as causas de tantos males? As mais distantes, remotas ou mais recentes e localizadas? Quem se volta ou demonstra interesse em combater as causas de tão duro e impiedoso problema?
Ora! As causas mais gritantes do doloroso problema da droga são de natureza sociais e éticas. Querem ver? Os exemplos dos homens (não todos, claro) que exercem o poder, a corrupção despudorada, os gastos públicos excessivos com mordomias e benesses; a falta de ética e compromisso com a nação fazem com que os jovens, notadamente, percam a esperança, não acredite na vida, na realização, na conquista de valores.
Há poucos dias uma professora indagava-me: será aceitável que uma autoridade combata a droga, sendo uma usurária dela? Não deu o nome. Considerei absurdo.
Baudelaire (Charles Pierre – 1821/1867), que morreu, prematuramente, vítima dos abusos dos estimulantes nervosos, em seu famoso ensaio “Paraísos Arficiais” falou, com lucidez, sobre os efeitos do ópio, no seu exagerado pessimismo: Imaginemos uma sociedade em que todos os cidadãos se embriaguem com haxixe (Maconha)! Que cidadãos! Que guerreiros! Que legisladores!
A droga, infelizmente, está se tornando epidemia nacional. Difícil, impossível, mudar-se esta situação se todos, a partir do Estado não fizerem a sua parte.
Anchieta Mendes, Magistrado (aposentado), Professor da Universidade Federal do Piauí (aposentado) Jornalista, escritor – Membro de Academias de Letras e outras instituiçoes literárias do Piauí e do Brasil
EcoDebate, 04/03/2011
http://www.ecodebate.com.br/2011/03/04/a-desgraca-da-droga-artigo-de-anchieta-mendes/
Tags: drogas, reflexão, sociedade
[EcoDebate] Encontros, reuniões, seminários, conselhos, comissões, grupos de trabalho, palestras, manchetes, notas de jornais, opiniões, críticas, rezas, e tantas outras manifestações de autoridades ou prováveis mestres; alvoroço, estatísticas, demagogia que se espraia por conta do problema, lágrimas de mães, fuga de pais, é uma verdadeira calamidade que se instaura e se instala por todos os cantos do país e do mundo.
É a droga, de qualquer nome, qualidade, quantidade e uso, com as suas desgraças, de que vêm as mortes, os crimes, as iniqüidades, a violência de todo tamanho e resultados dramáticos. É o que se vê e deplora-se. É a droga que muda de nome, muda (para pior) de resultado nefasto, devastador do corpo e da alma dos homens, de todas as idades, notadamente, das idades mais novas.
Tudo se torna alarde e alarme, gritos e gemidos, lágrimas e tristeza mortal. É a família destruída, amesquinhada, inerte, desprotegida e doente. É a sociedade que, por tudo isso, não resiste, perde as forças, a confiança, a capacidade de reagir e mudar.
Fala-se demais e faz-se de menos. Leis? Não são cumpridas, a partir do Estado que as edita. Exemplo? A lei anti-drogas que não é complementada, não surte efeito porque não se cuida de transforma-la em fatos, em realidade. Sabe por quê? O Estado não cumpre a sua parte, por exemplo, construindo e mantendo clínicas de recuperação de usuários; permite, não dá condições e as escolas se tornam despreparadas para cuidar do problema, dentro da sua especialidade. E o estado que não oferece o mínimo assegurado na Constituição: saúde, educação e segurança; não oferece salário condigno, moradia, assistência social.
O maior cliente (réu) da Justiça é o próprio Estado, incluindo-se o País, os Estados federados, os municípios, as empresas públicas, etc. que negam os fundamentais direitos do cidadão que são o salário digno, a assistência médica, etc. Negam aos cidadãos, negam na Justiça, quando pleiteados esses direitos e a via-sacra não termina.
E as causas de tantos males? As mais distantes, remotas ou mais recentes e localizadas? Quem se volta ou demonstra interesse em combater as causas de tão duro e impiedoso problema?
Ora! As causas mais gritantes do doloroso problema da droga são de natureza sociais e éticas. Querem ver? Os exemplos dos homens (não todos, claro) que exercem o poder, a corrupção despudorada, os gastos públicos excessivos com mordomias e benesses; a falta de ética e compromisso com a nação fazem com que os jovens, notadamente, percam a esperança, não acredite na vida, na realização, na conquista de valores.
Há poucos dias uma professora indagava-me: será aceitável que uma autoridade combata a droga, sendo uma usurária dela? Não deu o nome. Considerei absurdo.
Baudelaire (Charles Pierre – 1821/1867), que morreu, prematuramente, vítima dos abusos dos estimulantes nervosos, em seu famoso ensaio “Paraísos Arficiais” falou, com lucidez, sobre os efeitos do ópio, no seu exagerado pessimismo: Imaginemos uma sociedade em que todos os cidadãos se embriaguem com haxixe (Maconha)! Que cidadãos! Que guerreiros! Que legisladores!
A droga, infelizmente, está se tornando epidemia nacional. Difícil, impossível, mudar-se esta situação se todos, a partir do Estado não fizerem a sua parte.
Anchieta Mendes, Magistrado (aposentado), Professor da Universidade Federal do Piauí (aposentado) Jornalista, escritor – Membro de Academias de Letras e outras instituiçoes literárias do Piauí e do Brasil
EcoDebate, 04/03/2011
http://www.ecodebate.com.br/2011/03/04/a-desgraca-da-droga-artigo-de-anchieta-mendes/
quarta-feira, 2 de março de 2011
John Vidal: Especuladores da fome fazem preço dos alimentos aumentar
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Quarta-Feira, 02 de Março de 2011
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Economia| 01/03/2011 | Copyleft
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Especuladores da fome fazem preço dos alimentos aumentar
Não são apenas más colheitas e mudanças no clima; especuladores também estão por trás dos preços recordes nos alimentos. E são os pobres que pagam por isso. Os mesmos bancos, fundos de investimento de risco e investidores cuja especulação nos mercados financeiros globais causaram a crise das hipotecas de alto risco (sub-prime) são responsáveis por causar as alterações e a inflação no preço dos alimentos. A acusação contra eles é que, ao se aproveitar da desregulamentação dos preços dos mercados de commodities globais, eles estão fazendo bilhões em lucro da especulação sobre a comida e causando miséria ao redor do mundo. O artigo é de John Vidal.
John Vidal - The Observer
Há pouco menos de três anos, as pessoas da vila de Gumbi, no oestede Malawi, passaram por uma fome inesperada. Não como a de europeus,que pulam uma ou duas refeições, mas aquela profunda e persistente fome que impede o sono e embaralha os sentidos e que acontece quando não se tem comida por semanas. Estranhamente, não houve seca, a causa tradicional da mal nutrição e fome no sul da África, e havia bastante comida nos mercados. Por uma razão não óbvia o preço de alimentos básicos como milho e arroz havia quase dobrado em poucos meses. Não havia também evidências de que os donos de mercados estivessem estocando comida. A mesma história se repetiu em mais de 100 países em desenvolvimento.
Houve revolta por causa de comida em mais de 20 países e governos tiveram que banir a exportação e subsidiar fortemente os alimentos básicos. A explicação apresentada por especialistas da ONU em alimentos era de que uma “perfeita” conjunção de fatores naturais e humanos tinha se combinado para inflar os preços. Produtores dos EUA, diziam as agências da ONU, tinham disponibilizado milhões de acres de terra para a produção de biocombustíveis; preços de petróleo e fertilizantes tinham subido intensamente; os chineses estavam mudando de uma dieta vegetariana para uma baseada em carne; secas criadas por mudanças no clima estavam afetando grandes áreas de produção.
A ONU disse que 75 milhões de pessoas se tornaram mal nutridas em função do aumento de preços. Mas uma nova teoria está surgindo entre economistas e mercadores. Os mesmos bancos, fundos de investimento de risco e investidores cuja especulação nos mercados financeiros globais causaram a crise das hipotecas de alto risco (sub-prime) são responsáveis por causar as alterações e a inflação no preço dos alimentos. A acusação contra eles é que, ao se aproveitar da desregulamentação dos preços dos mercados de commodities globais, eles estão fazendo bilhões em lucro da especulação sobre a comida e causando miséria ao redor do mundo.
Conforme os preços sobem além dos níveis de 2008, fica claro que todos estão agora sendo afetados. Os preços da comida está subindo até 10%por ano no Reino Unido e na Europa. Mais ainda, diz a ONU, os preços deverão subir pelo menos 40% na próxima década. Sempre houve uma modesta, mesmo bem-vinda, especulação nos preços dos alimentos e tradicionalmente funcionava assim. O produtor X se protegia contra o clima e outros riscos vendendo sua produção antes da colheita para o investidor Y. Isso lhe garantia um preço e o permitia planejar o futuro e investir mais, e dava ao investidor Y um lucro também. Num ano ruim, o fazendeiro X tinha um bom retorno. Mas num ano bom, o investidor Y se saía melhor.
Quando esse processo era controlado e regulado, funcionava bem. O preço da comida que chegava ao prato e do mercado de alimentos mundial ainda era definido por reais forças de oferta e demanda. Mas tudo mudou no meio dos anos 1990. Na época, após um pesado lobby de bancos, fundos de investimento de risco e defensores do "mercado livre" nos EUA e no Reino Unido, as regulamentações no mercado de commodities foram abolidas. Contratos para comprar e vender alimentos foram transformados em “derivativos” que poderiam ser comprados e vendidos por negociantes que não tinham relação alguma com a agricultura. Como resultado, nascia um novo e irreal mercado de “especulação de alimentos”.
Cacau, sucos de fruta, açúcar, alimentos básicos e café agora são commodities globais, assim como petróleo, ouro e metais. Então, em 2006, veio o desastre das hipotecas podres e bancos e especuladores correram para jogar os seus bilhões de dólares em negócios seguros, alimentos em especial. “Nós notamos isso [especulação de alimentos] pela primeira vez em 2006. Não parecia algo importante então. Mas em 2007, 2008 aumentou rapidamente”, disse Mike Masters, gerente de um fundo no Masters Capital Management, que confirmou em testemunho ao Senado dos EUA em 2008 que a especulação estava inflando o preço mundial dos alimentos. “Quando você olha para os fluxos, se tem uma evidência forte. Eu conheço muitos especuladores e eles confirmaram o que está acontecendo. A maior parte do negócio agora é especulação – eu diria 70 a 80%.” Masters diz que o mercado agora está muito distorcido pelos bancos de investimentos. “Digamos que apareçam notícias sobre colheitas ruins e chuvas em algum lugar. Normalmente os preços vão subir algo em torno de 1 dólar (por bushel). Quando se tem 70-80% de mercado especulativo, sobe 2 a 3 dólares para levar em conta os custos extras. Cria volatilidade. Vai acabar mal como todas as bolhas de Wall Street. Vai estourar.”
O mercado especulativo é realmente vasto, concorda Hilda Ochoa-Brillembourg, presidente do Strategic Investment Group de Nova York. Ela estima que a demanda especulativa para o mercado agrícola de futuros tenha aumentado entre 40 e 80% desde 2008. Mas a especulação não está apenas em alimentos básicos. No ano passado, o fundo Armajaro, de Londres, comprou 240 mil toneladas – mais de 7% do mercado mundial de cacau – ajudando a elevar o preço do chocolate ao seu mais alto valor em 33 anos. Enquanto isso, o preço do café pulou 20% em apenas três dias, resultado direto de aposta de especuladores na quebra do preço do café.
Olivier de Schutter, Relator da ONU para o Direito à Alimentação, não tem dúvidas que especuladores estão por trás do aumento de preços. “Os preços do trigo, do milho e do arroz tem aumentado de modo significante, mas isso não está ligado a estoques ou colheitas ruins, mas sim a negociantes reagindo a informações e especulações do mercado”, ele diz. “As pessoas estão morrendo de fome enquanto os bancos estão se matando para investir em comida”, diz Deborah Doane, diretora do Movimento Global de Desenvolvimento de Londres.
A FAO, órgão da ONU para agricultura, se mantém diplomaticamente evasiva, dizendo, em junho, que: “Fora mudanças reais em oferta e procura em alguns commodities, o aumento dos preços pode também ter sido amplificado pela especulação no mercado de futuros”. A [visão da] ONU tem o apoio de Ann Berg, uma das mais experientes negociantes do mercado de futuros. Ela argumenta que diferenciar commodities dos mercados de futuro e os relacionados com investimento sem agricultura é impossível. “Não existe maneira de saber exatamente [o que está acontecendo]. Tivemos a bolha das casas e o não-pagamento dos créditos. O mercado de commodities é outro campo lucrativo [onde] os mercados investem. É uma questão sensível. [Alguns] países compram direto dos mercados. Como diz um amigo meu. “O que para um homem pobre é um problema, para o rico é um investimento livre de riscos”.
Tradução: Wilson Sobrinho
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17497&boletim_id=847&comp
Quarta-Feira, 02 de Março de 2011
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Economia| 01/03/2011 | Copyleft
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Especuladores da fome fazem preço dos alimentos aumentar
Não são apenas más colheitas e mudanças no clima; especuladores também estão por trás dos preços recordes nos alimentos. E são os pobres que pagam por isso. Os mesmos bancos, fundos de investimento de risco e investidores cuja especulação nos mercados financeiros globais causaram a crise das hipotecas de alto risco (sub-prime) são responsáveis por causar as alterações e a inflação no preço dos alimentos. A acusação contra eles é que, ao se aproveitar da desregulamentação dos preços dos mercados de commodities globais, eles estão fazendo bilhões em lucro da especulação sobre a comida e causando miséria ao redor do mundo. O artigo é de John Vidal.
John Vidal - The Observer
Há pouco menos de três anos, as pessoas da vila de Gumbi, no oestede Malawi, passaram por uma fome inesperada. Não como a de europeus,que pulam uma ou duas refeições, mas aquela profunda e persistente fome que impede o sono e embaralha os sentidos e que acontece quando não se tem comida por semanas. Estranhamente, não houve seca, a causa tradicional da mal nutrição e fome no sul da África, e havia bastante comida nos mercados. Por uma razão não óbvia o preço de alimentos básicos como milho e arroz havia quase dobrado em poucos meses. Não havia também evidências de que os donos de mercados estivessem estocando comida. A mesma história se repetiu em mais de 100 países em desenvolvimento.
Houve revolta por causa de comida em mais de 20 países e governos tiveram que banir a exportação e subsidiar fortemente os alimentos básicos. A explicação apresentada por especialistas da ONU em alimentos era de que uma “perfeita” conjunção de fatores naturais e humanos tinha se combinado para inflar os preços. Produtores dos EUA, diziam as agências da ONU, tinham disponibilizado milhões de acres de terra para a produção de biocombustíveis; preços de petróleo e fertilizantes tinham subido intensamente; os chineses estavam mudando de uma dieta vegetariana para uma baseada em carne; secas criadas por mudanças no clima estavam afetando grandes áreas de produção.
A ONU disse que 75 milhões de pessoas se tornaram mal nutridas em função do aumento de preços. Mas uma nova teoria está surgindo entre economistas e mercadores. Os mesmos bancos, fundos de investimento de risco e investidores cuja especulação nos mercados financeiros globais causaram a crise das hipotecas de alto risco (sub-prime) são responsáveis por causar as alterações e a inflação no preço dos alimentos. A acusação contra eles é que, ao se aproveitar da desregulamentação dos preços dos mercados de commodities globais, eles estão fazendo bilhões em lucro da especulação sobre a comida e causando miséria ao redor do mundo.
Conforme os preços sobem além dos níveis de 2008, fica claro que todos estão agora sendo afetados. Os preços da comida está subindo até 10%por ano no Reino Unido e na Europa. Mais ainda, diz a ONU, os preços deverão subir pelo menos 40% na próxima década. Sempre houve uma modesta, mesmo bem-vinda, especulação nos preços dos alimentos e tradicionalmente funcionava assim. O produtor X se protegia contra o clima e outros riscos vendendo sua produção antes da colheita para o investidor Y. Isso lhe garantia um preço e o permitia planejar o futuro e investir mais, e dava ao investidor Y um lucro também. Num ano ruim, o fazendeiro X tinha um bom retorno. Mas num ano bom, o investidor Y se saía melhor.
Quando esse processo era controlado e regulado, funcionava bem. O preço da comida que chegava ao prato e do mercado de alimentos mundial ainda era definido por reais forças de oferta e demanda. Mas tudo mudou no meio dos anos 1990. Na época, após um pesado lobby de bancos, fundos de investimento de risco e defensores do "mercado livre" nos EUA e no Reino Unido, as regulamentações no mercado de commodities foram abolidas. Contratos para comprar e vender alimentos foram transformados em “derivativos” que poderiam ser comprados e vendidos por negociantes que não tinham relação alguma com a agricultura. Como resultado, nascia um novo e irreal mercado de “especulação de alimentos”.
Cacau, sucos de fruta, açúcar, alimentos básicos e café agora são commodities globais, assim como petróleo, ouro e metais. Então, em 2006, veio o desastre das hipotecas podres e bancos e especuladores correram para jogar os seus bilhões de dólares em negócios seguros, alimentos em especial. “Nós notamos isso [especulação de alimentos] pela primeira vez em 2006. Não parecia algo importante então. Mas em 2007, 2008 aumentou rapidamente”, disse Mike Masters, gerente de um fundo no Masters Capital Management, que confirmou em testemunho ao Senado dos EUA em 2008 que a especulação estava inflando o preço mundial dos alimentos. “Quando você olha para os fluxos, se tem uma evidência forte. Eu conheço muitos especuladores e eles confirmaram o que está acontecendo. A maior parte do negócio agora é especulação – eu diria 70 a 80%.” Masters diz que o mercado agora está muito distorcido pelos bancos de investimentos. “Digamos que apareçam notícias sobre colheitas ruins e chuvas em algum lugar. Normalmente os preços vão subir algo em torno de 1 dólar (por bushel). Quando se tem 70-80% de mercado especulativo, sobe 2 a 3 dólares para levar em conta os custos extras. Cria volatilidade. Vai acabar mal como todas as bolhas de Wall Street. Vai estourar.”
O mercado especulativo é realmente vasto, concorda Hilda Ochoa-Brillembourg, presidente do Strategic Investment Group de Nova York. Ela estima que a demanda especulativa para o mercado agrícola de futuros tenha aumentado entre 40 e 80% desde 2008. Mas a especulação não está apenas em alimentos básicos. No ano passado, o fundo Armajaro, de Londres, comprou 240 mil toneladas – mais de 7% do mercado mundial de cacau – ajudando a elevar o preço do chocolate ao seu mais alto valor em 33 anos. Enquanto isso, o preço do café pulou 20% em apenas três dias, resultado direto de aposta de especuladores na quebra do preço do café.
Olivier de Schutter, Relator da ONU para o Direito à Alimentação, não tem dúvidas que especuladores estão por trás do aumento de preços. “Os preços do trigo, do milho e do arroz tem aumentado de modo significante, mas isso não está ligado a estoques ou colheitas ruins, mas sim a negociantes reagindo a informações e especulações do mercado”, ele diz. “As pessoas estão morrendo de fome enquanto os bancos estão se matando para investir em comida”, diz Deborah Doane, diretora do Movimento Global de Desenvolvimento de Londres.
A FAO, órgão da ONU para agricultura, se mantém diplomaticamente evasiva, dizendo, em junho, que: “Fora mudanças reais em oferta e procura em alguns commodities, o aumento dos preços pode também ter sido amplificado pela especulação no mercado de futuros”. A [visão da] ONU tem o apoio de Ann Berg, uma das mais experientes negociantes do mercado de futuros. Ela argumenta que diferenciar commodities dos mercados de futuro e os relacionados com investimento sem agricultura é impossível. “Não existe maneira de saber exatamente [o que está acontecendo]. Tivemos a bolha das casas e o não-pagamento dos créditos. O mercado de commodities é outro campo lucrativo [onde] os mercados investem. É uma questão sensível. [Alguns] países compram direto dos mercados. Como diz um amigo meu. “O que para um homem pobre é um problema, para o rico é um investimento livre de riscos”.
Tradução: Wilson Sobrinho
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17497&boletim_id=847&comp
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Ganhar dinheiro com a fome
24.02.11 - Mundo
Ganhar dinheiro com a fome
Prensa Latina
Agencia Informativa Latinoamericana
Adital
Por Katia Monteagudo
Tradução: ADITAL
Transnacionais ganham enormes somas de dinheiro em períodos de fome, mediante a comercialização especulativa de produtos de primeira necessidade.
Hoje, não somente as más colheitas, entre outros impactos de mudança climática, trazem problemas à segurança alimentar global.
Vários especialistas asseguram que a especulação resulta em uma das mais poderosas causadoras da atual volatilidade nos preços dos comestíveis básicos.
Clara e abertamente expõem que os próprios bancos, fundos de investimento e especulação financeira que provocaram a crise das hipotecas "subprime” estão por trás dessa inflação de preços.
Afirmam também que a mesma confusão vista Ana crise alimentar de 2008 –que emerge de novo- ainda se mantém em pé, com mais força e gerando grandes dividendos a custa de estômagos e bolsos.
A organização mundial GRAIN diz que o dinheiro especulativo em alimentos cresceu de cinco bilhões de dólares em 2000 para 175 bilhões, em 2007.
Nos meses de agosto e setembro de 2010, na bolsa de futuros de Chicago, o trigo alcançava um incremento de preço de 60 a 80%, em relação ao mês de julho.
Vários corretores viram uma oportunidade na proibição das exportações de trigo na Rússia e déficits em outros países, como a Ucrânia e o Canadá.
Outras multinacionais da alimentação também reagiram ante o temor da escassez; realizaram contratos de futuros e apropriam-se de toneladas de trigo. De imediato, em Moçambique o pão teve aumento de 30%.
Em âmbito global, o milho teve incremento de 40% e o arroz de 7%. Tampouco o café escapou da voragem especuladora. Desde setembro de 2010, o valor internacional desse grão começou a subir devido à apropriação de grandes operadores, informa a ONG espanhola ESPANICA.
Tal volatilidade tem obrigado os 77 países mais pobres do mundo a desembolsar 8% a mais de dinheiro para as compras de alimentos.
Olivier de Schutter, relator especial das Nações Unidas sobre o direito à alimentação, afirma que os movimentos financeiros estão por trás dos altos preços do milho, do trigo e do arroz. Em sua opinião, esses preços não estão relacionados com a disponibilidade dos inventários ou com o resultado da última colheita, mas com a manipulação da informação e com a especulação nos mercados.
Hilda Ochoa-Brillembourg, presidente do Strategic Investiment Group, assessores de investimentos no Banco Mundial, estima que desde 2008 a demanda especulativa de futuros de produtos agrícolas cresceu entre 40 e 80%.
Somente a firma inglesa Armajaro Holdings Ltda, comprou em uma jornada do ano passado, 240 mil toneladas de cacau, avaliadas em 720 milhões de euros e que representam 7% da produção mundial.
Em um dia Armajaro conseguiu que o preço da tonelada desse grão disparasse até alcançar 3.223 euros, a cifra mais alta desde 1977.
Essa quantidade de cacau equivale ao consumo dos estadunidenses durante seis meses e é suficiente para produzir mais de 15 bilhões de barras de chocolate Hershey’s.
Armajaro possui agora bastante matéria-prima para influir nos preços e negociar com companhias processadoras do produto, como a Cargill Inc. e a Archer-Daniels Midland Co., e produtores de chocolate, como Hershey Co. e Mars Inc.
"As pessoas morrem de fome enquanto os bancos fazem uma matança com suas apostas nos alimentos”, diz Deborah Doane, diretora do Movimento Mundial para o Desenvolvimento.
Caridad García-Manns, operadora de "commodities” do Traders Group Inc. assevera que a metade dos incrementos nos valores de milho, trigo e outros alimentos está sendo provocada pela especulação de grandes investidores em âmbito global.
Durante o ano atual, essas mercadorias poderiam subir um terço mais do que o que já subiu até agora; porém, segundo a ONU, os preços ainda podem aumentar em mais de 40% na nova década que transcorre.
Iván Ângulo, representante na Guatemala da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação assinala que somente nesse país quase três milhões de pessoas estão em risco devido ao crescimento dos custos nos comestíveis básicos, cifra que se somaria a quase 1 bilhão de pessoas que padecem fome crônica hoje no planeta.
"Temos que ser muito enfáticos de que com o alimento não podemos permitir que haja ações especulativas, mas que haja racionalidade em todos os setores”, enfatiza Ângulo.
No entanto, a Comissão Europeia decidiu adiar um estudo que prepara sobre o aumento de preços nas matérias primas, alimentos e seus vínculos com a especulação nos mercados.
Esse executivo comunitário argumentou que tem claro que existe uma relação entre os mercados financeiros e os das matérias primas; porém, necessita tempo para conseguir reunir mais provas.
Enquanto o organismo espera acumular mais elementos comprobatórios de como as transnacionais ganham dinheiro às custas das penúrias, começam a reagir em cadeia as lutas pelo pão.
Hoje também são muitos os convencidos de que morrer de fome não é a opção.
Link permanente:
Ganhar dinheiro com a fome
Prensa Latina
Agencia Informativa Latinoamericana
Adital
Por Katia Monteagudo
Tradução: ADITAL
Transnacionais ganham enormes somas de dinheiro em períodos de fome, mediante a comercialização especulativa de produtos de primeira necessidade.
Hoje, não somente as más colheitas, entre outros impactos de mudança climática, trazem problemas à segurança alimentar global.
Vários especialistas asseguram que a especulação resulta em uma das mais poderosas causadoras da atual volatilidade nos preços dos comestíveis básicos.
Clara e abertamente expõem que os próprios bancos, fundos de investimento e especulação financeira que provocaram a crise das hipotecas "subprime” estão por trás dessa inflação de preços.
Afirmam também que a mesma confusão vista Ana crise alimentar de 2008 –que emerge de novo- ainda se mantém em pé, com mais força e gerando grandes dividendos a custa de estômagos e bolsos.
A organização mundial GRAIN diz que o dinheiro especulativo em alimentos cresceu de cinco bilhões de dólares em 2000 para 175 bilhões, em 2007.
Nos meses de agosto e setembro de 2010, na bolsa de futuros de Chicago, o trigo alcançava um incremento de preço de 60 a 80%, em relação ao mês de julho.
Vários corretores viram uma oportunidade na proibição das exportações de trigo na Rússia e déficits em outros países, como a Ucrânia e o Canadá.
Outras multinacionais da alimentação também reagiram ante o temor da escassez; realizaram contratos de futuros e apropriam-se de toneladas de trigo. De imediato, em Moçambique o pão teve aumento de 30%.
Em âmbito global, o milho teve incremento de 40% e o arroz de 7%. Tampouco o café escapou da voragem especuladora. Desde setembro de 2010, o valor internacional desse grão começou a subir devido à apropriação de grandes operadores, informa a ONG espanhola ESPANICA.
Tal volatilidade tem obrigado os 77 países mais pobres do mundo a desembolsar 8% a mais de dinheiro para as compras de alimentos.
Olivier de Schutter, relator especial das Nações Unidas sobre o direito à alimentação, afirma que os movimentos financeiros estão por trás dos altos preços do milho, do trigo e do arroz. Em sua opinião, esses preços não estão relacionados com a disponibilidade dos inventários ou com o resultado da última colheita, mas com a manipulação da informação e com a especulação nos mercados.
Hilda Ochoa-Brillembourg, presidente do Strategic Investiment Group, assessores de investimentos no Banco Mundial, estima que desde 2008 a demanda especulativa de futuros de produtos agrícolas cresceu entre 40 e 80%.
Somente a firma inglesa Armajaro Holdings Ltda, comprou em uma jornada do ano passado, 240 mil toneladas de cacau, avaliadas em 720 milhões de euros e que representam 7% da produção mundial.
Em um dia Armajaro conseguiu que o preço da tonelada desse grão disparasse até alcançar 3.223 euros, a cifra mais alta desde 1977.
Essa quantidade de cacau equivale ao consumo dos estadunidenses durante seis meses e é suficiente para produzir mais de 15 bilhões de barras de chocolate Hershey’s.
Armajaro possui agora bastante matéria-prima para influir nos preços e negociar com companhias processadoras do produto, como a Cargill Inc. e a Archer-Daniels Midland Co., e produtores de chocolate, como Hershey Co. e Mars Inc.
"As pessoas morrem de fome enquanto os bancos fazem uma matança com suas apostas nos alimentos”, diz Deborah Doane, diretora do Movimento Mundial para o Desenvolvimento.
Caridad García-Manns, operadora de "commodities” do Traders Group Inc. assevera que a metade dos incrementos nos valores de milho, trigo e outros alimentos está sendo provocada pela especulação de grandes investidores em âmbito global.
Durante o ano atual, essas mercadorias poderiam subir um terço mais do que o que já subiu até agora; porém, segundo a ONU, os preços ainda podem aumentar em mais de 40% na nova década que transcorre.
Iván Ângulo, representante na Guatemala da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação assinala que somente nesse país quase três milhões de pessoas estão em risco devido ao crescimento dos custos nos comestíveis básicos, cifra que se somaria a quase 1 bilhão de pessoas que padecem fome crônica hoje no planeta.
"Temos que ser muito enfáticos de que com o alimento não podemos permitir que haja ações especulativas, mas que haja racionalidade em todos os setores”, enfatiza Ângulo.
No entanto, a Comissão Europeia decidiu adiar um estudo que prepara sobre o aumento de preços nas matérias primas, alimentos e seus vínculos com a especulação nos mercados.
Esse executivo comunitário argumentou que tem claro que existe uma relação entre os mercados financeiros e os das matérias primas; porém, necessita tempo para conseguir reunir mais provas.
Enquanto o organismo espera acumular mais elementos comprobatórios de como as transnacionais ganham dinheiro às custas das penúrias, começam a reagir em cadeia as lutas pelo pão.
Hoje também são muitos os convencidos de que morrer de fome não é a opção.
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
''Então morra'', diz prefeito
http://www.youtube.com/embed/6oUSfPjsAEg
Liege Albuquerque - O Estado de S.Paulo
O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), discutiu ontem com a moradora de uma comunidade onde uma mulher e duas crianças morreram soterradas. O prefeito disse que as pessoas na comunidade Santa Marta, na zona norte da capital do Amazonas, ajudariam a prefeitura "não fazendo casas onde não devem".

Reprodução
Embate. Amazonino culpou moradora por situação
Uma moradora não identificada retrucou, destacando que "a gente está aqui, porque não tem condição de ter uma moradia digna". Exaltado, o prefeito então respondeu: "Minha filha, então morra, morra."
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
REPELENTE CONTRA DENGUE!
1/2 litro de álcool;- 1 pacote de cravo da Índia (10 gr);- 1 vidro de
óleo
de nenê (100ml)
Deixe o cravo curtindo no álcool uns 4 dias agitando, cedo e de tarde;
Depois coloque o óleo corporal (pode ser de amêndoas, camomila,
erva-doce,
aloe vera).
Passe só uma gota no braço e pernas e o mosquito foge do cômodo.
O cravo
espanta formigas da cozinha e dos eletrônicos, espanta as pulgas dos
animais.
O repelente evita que o mosquito sugue o sangue, assim, ele não consegue
maturar os ovos e atrapalha a postura, vai diminuindo a proliferação.
A comunidade toda tem de usar, como num mutirão.
Não forneça sangue para o aedes
óleo
de nenê (100ml)
Deixe o cravo curtindo no álcool uns 4 dias agitando, cedo e de tarde;
Depois coloque o óleo corporal (pode ser de amêndoas, camomila,
erva-doce,
aloe vera).
Passe só uma gota no braço e pernas e o mosquito foge do cômodo.
O cravo
espanta formigas da cozinha e dos eletrônicos, espanta as pulgas dos
animais.
O repelente evita que o mosquito sugue o sangue, assim, ele não consegue
maturar os ovos e atrapalha a postura, vai diminuindo a proliferação.
A comunidade toda tem de usar, como num mutirão.
Não forneça sangue para o aedes
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