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domingo, 26 de junho de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Sentimento de impotência, artigo de Montserrat Martins
Publicado em março 21, 2011 por HC
Tags: reflexão
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[EcoDebate] É uma reação natural evitar assuntos mais dolorosos, quando não há nada que possamos fazer para mudar os fatos – é o chamado “sentimento de impotência”, do qual derivam comportamentos e mecanismos de defesa psicológicos que vão da apatia à negação da realidade, acompanhados por tristeza, angústia e até depressão. Isso ocorre tanto em situações de nossas vidas pessoais quanto em fatos sociais chocantes, como os que sucederam neste mês de março. Destruição no Japão, com acidente nuclear inclusive, genocídio na Líbia, um somatório de fatos chocantes provocaram tristeza e medo através do mundo. O sentimento de impotência é uma parte importante de nossas vidas sociais, não aparece só nas grandes tragédias, mas também sob forma de problemas crônicos, como por exemplo no noticiário cotidiano sobre a corrupção ou sobre a violência. Cada um de nós, como indivíduo, se sente muito pequeno e sem poder de fazer algo que faça a diferença em situações como essas, o que às vezes resulta em passividade coletiva, quando deixamos de acreditar que algo possa ser feito.
O mais sublime exemplo de tragédia canalizada para a transformação social foi a da mãe que perdeu o filho no trânsito e dedicou sua vida à prevenção de acidentes, estamos falando é claro da Diza Gonzaga e do movimento Vida Urgente. Nada poder ser comparado à dor de uma mãe diante da sua maior perda, a de um filho. Por enfrentar – e como uma missão para ajudar aos outros – o próprio sentimento de dor e impotência, Diza passou a ser uma referência para outros pais e mães com perdas irreparáveis, com o exemplo da solidariedade, da ação social para a conscientização e prevenção de mais e mais tragédias. Por maior que seja o sentimento de impotência – pois nada irá trazer seus filhos de volta – estas histórias de transcendência da vidas representam o mais elevado que seres humanos podem fazer com a própria tristeza, sofrimento, luto, com a própria depressão. É da capacidade de ver algum sentido na vida (pois se não sem descobrisse algum sentido, não haveria motivação para reagir) que brota essa resposta sublime, de canalizar a própria dor para o socorro aos outros.
Não sabemos como vai ficar o Japão, nem a extensão do genocídio na Líbia, questões pelas quais não temos como fazer tanto. Mas um pouco do Japão está aqui pertinho de nós, nos atingidos pelas enchentes em Santa Catarina ou ainda mais ao sul, em São Lourenço do Sul. Situações de violência como as da Líbia também, se não temos aqui um Kadafi temos vários “patrões” do tráfico ordenando mortes em regiões que aterrorizam. Assim como há, também, algumas pessoas que lutam de modo até mesmo heróico (como a Diza), para prevenir tragédias, ou ainda para impedir devastações naturais produzidas pelo próprio ser humano a desequilibrar o clima, ou em projetos de recuperação de jovens violentos.
São pessoas como estas que podem nos mostrar caminhos melhores para aprendermos a lidar com nossos sentimentos de impotência, diante das pequenas e das grandes tragédias da vida.
Montserrat Martins, colunista do Ecodebate, é Psiquiatra.
EcoDebate, 21/03/2011
sábado, 12 de março de 2011
Meio pão e um livro
Meio pão e um livro
Frei Betto
Escritor e assessor de movimentos sociais
Adital
Tradução livre de Frei Betto
Quando alguém vai ao teatro, a um concerto ou a uma festa, se lhe agrada, lamenta que as pessoas de quem gosta não estejam ali. "Como minha irmã, meu pai iriam apreciar”, pensa, e desfruta tomado por leve melancolia.
Esta é a melancolia que sinto, não pela minha família, e sim por todas as criaturas que, por falta de meios e por desgraça, não gozam do supremo bem da beleza, que é a vida com bondade, serenidade e paixão.
Por isso nunca tenho livro, pois presenteio todos os que compro, que são muitíssimos, e portanto estou aqui honrado e contente por inaugurar esta biblioteca do povo, a primeira na região de Granada.
Não só de pão vive o homem. Eu, se tivesse fome e estivesse abandonado na rua, não pediria um pão, pediria meio pão e um livro. Critico violentamente os que falam apenas de reivindicações econômicas, sem jamais ressaltar as culturais, que os povos pedem aos gritos.
Ótimo que todos os homens comam; melhor que todos tenham saber. Que gozem todos os frutos do espírito humano, porque o contrário é serem transformados em máquinas a serviço do Estado, convertidos em escravos de uma terrível organização social.
Lamento muito mais por um homem que deseja saber e não pode, do que por um faminto. Este aplaca a fome com um pedaço de pão ou algumas frutas. Mas um homem que tem ânsia de saber e não possui os meios, sofre uma profunda agonia, porque são livros, livros, muitos livros, de que necessita. E onde estão esses livros?
Livros! Livros! Palavra mágica que equivale a dizer: "amor, amor”, e que os povos deviam pedir como pedem pão ou anseiam por chuva após semearem.
Quando Dostoiévski, pai da revolução russa muito mais que Lenin, se encontrava prisioneiro na Sibéria, isolado do mundo, retido entre quatro paredes e cercado de desoladas extensões de neve infinita, em carta à sua família pedia que o socorressem: "Enviem-me livros, livros, muitos livros, para que minha alma não morra!”
Tinha frio e não pedia fogo; sede e não pedia água; pedia livros, ou seja, horizontes, escadas para subir ao ápice do espírito e do coração. Porque a agonia física, biológica, natural de um corpo faminto, provocada pela fome, sede ou frio, dura pouco, muito pouco, mas a da alma insatisfeita dura toda a vida.
Disse o grande Menéndez Pidal, um dos sábios mais autênticos da Europa, que o lema da República deveria ser: "Cultura”. Porque só através dela é possível solucionar as dificuldades que hoje enfrenta o povo cheio de fé, mas carente de luz.
Palavras de Federico García Lorca ao inaugurar a biblioteca de Fuente de Vaqueros (Granada), em setembro de 1931.
PS: minha homenagem à nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e ao novo presidente da Biblioteca Nacional, Galeno Amorim.
[www.freibetto.org - twitter:@freibetto
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)]
Quando alguém vai ao teatro, a um concerto ou a uma festa, se lhe agrada, lamenta que as pessoas de quem gosta não estejam ali. "Como minha irmã, meu pai iriam apreciar”, pensa, e desfruta tomado por leve melancolia.
Esta é a melancolia que sinto, não pela minha família, e sim por todas as criaturas que, por falta de meios e por desgraça, não gozam do supremo bem da beleza, que é a vida com bondade, serenidade e paixão.
Por isso nunca tenho livro, pois presenteio todos os que compro, que são muitíssimos, e portanto estou aqui honrado e contente por inaugurar esta biblioteca do povo, a primeira na região de Granada.
Não só de pão vive o homem. Eu, se tivesse fome e estivesse abandonado na rua, não pediria um pão, pediria meio pão e um livro. Critico violentamente os que falam apenas de reivindicações econômicas, sem jamais ressaltar as culturais, que os povos pedem aos gritos.
Ótimo que todos os homens comam; melhor que todos tenham saber. Que gozem todos os frutos do espírito humano, porque o contrário é serem transformados em máquinas a serviço do Estado, convertidos em escravos de uma terrível organização social.
Lamento muito mais por um homem que deseja saber e não pode, do que por um faminto. Este aplaca a fome com um pedaço de pão ou algumas frutas. Mas um homem que tem ânsia de saber e não possui os meios, sofre uma profunda agonia, porque são livros, livros, muitos livros, de que necessita. E onde estão esses livros?
Livros! Livros! Palavra mágica que equivale a dizer: "amor, amor”, e que os povos deviam pedir como pedem pão ou anseiam por chuva após semearem.
Quando Dostoiévski, pai da revolução russa muito mais que Lenin, se encontrava prisioneiro na Sibéria, isolado do mundo, retido entre quatro paredes e cercado de desoladas extensões de neve infinita, em carta à sua família pedia que o socorressem: "Enviem-me livros, livros, muitos livros, para que minha alma não morra!”
Tinha frio e não pedia fogo; sede e não pedia água; pedia livros, ou seja, horizontes, escadas para subir ao ápice do espírito e do coração. Porque a agonia física, biológica, natural de um corpo faminto, provocada pela fome, sede ou frio, dura pouco, muito pouco, mas a da alma insatisfeita dura toda a vida.
Disse o grande Menéndez Pidal, um dos sábios mais autênticos da Europa, que o lema da República deveria ser: "Cultura”. Porque só através dela é possível solucionar as dificuldades que hoje enfrenta o povo cheio de fé, mas carente de luz.
Palavras de Federico García Lorca ao inaugurar a biblioteca de Fuente de Vaqueros (Granada), em setembro de 1931.
PS: minha homenagem à nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e ao novo presidente da Biblioteca Nacional, Galeno Amorim.
[www.freibetto.org - twitter:@freibetto
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)]
Entidades sociais versus organizações sociais
A assistente social denuncia as diferenças de parcerias na área da assistência à infância, em sua maioria com entidades pobres da periferia que têm de recorrer a rifas e festas para fazer o atendimento, enquanto as OSs da saúde recebem 5% do valor fixo pela “qualidade do serviço prestado”.
Por Zilah Maria Ramalho
Quinta-feira, 10 de março de 2011
Cada vez mais o Poder Público em suas diferentes esferas e governos vêm adotando Parcerias Público Privada (PPPs), para a qual a execução de obras e serviços que, por força de lei é de competência do Estado, possam ser executadas pela iniciativa privada.
Aqui em São Paulo embora esse processo venha se acelerando nos últimos dez anos, as relações de parceria entre a iniciativa privada e a administração pública já ocorrem há quase 40 anos.
Na década de 1970, centenas de convênios começaram a ser firmados entre a Prefeitura de são Paulo e entidades sociais para o desenvolvimento de projetos de assistência social, assistência à infância e atendimento ao adolescente.
Nasciam aí as primeiras formas de PPPs...
Passados mais de 30 anos, essas parcerias principalmente no que se refere à assistência a Infância continuam a existir respondendo hoje pelo atendimento de mais de 10 mil crianças em idade de creche.
No governo Serra/Kassab novas possibilidades de parcerias foram introduzidas, principalmente na área de saúde.
A Lei 14.132, de 24/05/2006, do então prefeito José Serra, e regulamentada pelo Decreto nº 49.523, de 27/05/2008, do prefeito Gilberto Kassab, autoriza o Executivo Municipal a celebrar contratos de gestão com vistas a parcerias entre Organizações Sociais sem fins lucrativos e o Poder Público para o fomento e execução de atividades relativas à saúde.
Em menos de três anos o prefeito kassab já entregou mais de 60% do atendimento municipal de saúde a Organizações Sociais e com regras bastante favoráveis às OSs.
Isso pode ser constatado numa análise mais atenta do Decreto do Prefeito Kassab e dos contratos de gestão assinados entre a Prefeitura de São Paulo e as Organizações Sociais disponíveis para consulta na internet.
Há um ponto nestes contratos que nos chama a atenção, para a prestação dos serviços, objeto do contrato de gestão entre as duas partes, Prefeitura de São Paulo e OSs, o repasse de recursos observa os seguintes itens: um valor repassado que corresponde à parte fixa dos gastos (material de consumo, serviços de terceiros, manutenção etc), outro que se refere a pessoal, reformas de equipamentos e um valor definido como "Parte Variável", que corresponde a 5% do valor da parte fixa repassado mensalmente em função da qualidade de serviços prestados.
Esta qualidade é atestada por uma comissão tripartite (Poder Público, OSs e funcionários) onde - pasmen! - o principal interessado, que é o usuário do serviço de saúde não tem representação!!!
Enquanto não chega o momento para um debate mais profundo sobre este tema, quero chamar a atenção para o tratamento diferenciado que o poder público dá a seus diferentes parceiros.
As parcerias na área da assistência à infância, em sua maioria com entidades pobres da periferia que têm de recorrer às rifas, bingos, bazares e festas para arrecadar fundos para desenvolver o trabalho de atendimento às crianças e honrar os convênios com o poder público, as Organizações Sociais que atuam na saúde do município de São Paulo recebem 5% do valor fixo pela “qualidade do serviço prestado”.
A pergunta é: Quais seriam os verdadeiros motivos pelos quais as entidades pobres da periferia jamais receberam pelos serviços que as novas parcerias do poder público, em sua maioria bem estruturadas, são beneficiárias de recurso extra para que prestem um serviço de qualidade?
O debate está aberto. A sinalização de luta e de proposta para nossos parlamentares e militantes está dada.
Por Zilah Maria Ramalho
Quinta-feira, 10 de março de 2011
Cada vez mais o Poder Público em suas diferentes esferas e governos vêm adotando Parcerias Público Privada (PPPs), para a qual a execução de obras e serviços que, por força de lei é de competência do Estado, possam ser executadas pela iniciativa privada.
Aqui em São Paulo embora esse processo venha se acelerando nos últimos dez anos, as relações de parceria entre a iniciativa privada e a administração pública já ocorrem há quase 40 anos.
Na década de 1970, centenas de convênios começaram a ser firmados entre a Prefeitura de são Paulo e entidades sociais para o desenvolvimento de projetos de assistência social, assistência à infância e atendimento ao adolescente.
Nasciam aí as primeiras formas de PPPs...
Passados mais de 30 anos, essas parcerias principalmente no que se refere à assistência a Infância continuam a existir respondendo hoje pelo atendimento de mais de 10 mil crianças em idade de creche.
No governo Serra/Kassab novas possibilidades de parcerias foram introduzidas, principalmente na área de saúde.
A Lei 14.132, de 24/05/2006, do então prefeito José Serra, e regulamentada pelo Decreto nº 49.523, de 27/05/2008, do prefeito Gilberto Kassab, autoriza o Executivo Municipal a celebrar contratos de gestão com vistas a parcerias entre Organizações Sociais sem fins lucrativos e o Poder Público para o fomento e execução de atividades relativas à saúde.
Em menos de três anos o prefeito kassab já entregou mais de 60% do atendimento municipal de saúde a Organizações Sociais e com regras bastante favoráveis às OSs.
Isso pode ser constatado numa análise mais atenta do Decreto do Prefeito Kassab e dos contratos de gestão assinados entre a Prefeitura de São Paulo e as Organizações Sociais disponíveis para consulta na internet.
Há um ponto nestes contratos que nos chama a atenção, para a prestação dos serviços, objeto do contrato de gestão entre as duas partes, Prefeitura de São Paulo e OSs, o repasse de recursos observa os seguintes itens: um valor repassado que corresponde à parte fixa dos gastos (material de consumo, serviços de terceiros, manutenção etc), outro que se refere a pessoal, reformas de equipamentos e um valor definido como "Parte Variável", que corresponde a 5% do valor da parte fixa repassado mensalmente em função da qualidade de serviços prestados.
Esta qualidade é atestada por uma comissão tripartite (Poder Público, OSs e funcionários) onde - pasmen! - o principal interessado, que é o usuário do serviço de saúde não tem representação!!!
Enquanto não chega o momento para um debate mais profundo sobre este tema, quero chamar a atenção para o tratamento diferenciado que o poder público dá a seus diferentes parceiros.
As parcerias na área da assistência à infância, em sua maioria com entidades pobres da periferia que têm de recorrer às rifas, bingos, bazares e festas para arrecadar fundos para desenvolver o trabalho de atendimento às crianças e honrar os convênios com o poder público, as Organizações Sociais que atuam na saúde do município de São Paulo recebem 5% do valor fixo pela “qualidade do serviço prestado”.
A pergunta é: Quais seriam os verdadeiros motivos pelos quais as entidades pobres da periferia jamais receberam pelos serviços que as novas parcerias do poder público, em sua maioria bem estruturadas, são beneficiárias de recurso extra para que prestem um serviço de qualidade?
O debate está aberto. A sinalização de luta e de proposta para nossos parlamentares e militantes está dada.
Área de risco inclui escola e posto de saúde de São Paulo
Duas unidades de atendimento público, um posto de saúde e uma escola, estão entre as 407 áreas de risco da cidade de SP, segundo mapeamento do IPT, e podem deslizar com a chuva. A Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Clara, zona sul, fica a cinco metros de um córrego. A UBS foi inaugurada em 2005, quando a região já tinha ocupações irregulares. O muro dos fundos do posto já ameaçou cair sobre moradias. Há um ano e meio, nove moradias foram removidas e o muro, reconstruído. O problema é mais grave, porém, na escola municipal Wladimir de Toledo Piza, que fica no Jardim Iguatemi (zona leste), onde um barranco ameaça a construção - FSP, 11/3, Cotidiano, p.C6.
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